Caos no Bradesco? Inadimplência sobe, mas o banco lucra R$ 7 bilhões e muda a estratégia

ALTA RENDA BLOG 2026 – Será que o Bradesco está mesmo em apuros? O banco acaba de abrir o jogo sobre o 3º trimestre e os números surpreendem: lucro de R$ 7,11 bilhões, reforço de R$ 10 bilhões no caixa e um plano para continuar emprestando, só que agora de forma mais seletiva. A inadimplência subiu, mas quem mantém as contas em dia pode sair ganhando com mais crédito no consignado, no financiamento de veículos e em linhas com juros menores. Preparamos um resumo simples, com tabelas e dicas práticas, para você entender o que muda no seu bolso.

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Inadimplência em alta, provisões bilionárias e custo do crédito subindo. À primeira vista, os números do Bradesco no 3º trimestre de 2026 podem assustar quem tem conta, cartão ou investimento no banco. Mas o retrato completo é bem diferente de um “caos”: o banco lucrou mais, reforçou o caixa com R$ 10 bilhões e avisou que vai continuar emprestando. A diferença é que agora ele vai escolher com mais cuidado para quem e como empresta.

Neste artigo, o Alta Renda Blog traduz o balanço para a linguagem do dia a dia e mostra o que muda, na prática, para você que é cliente ou pensa em ser.

1. Afinal, existe caos no Bradesco?

Não. O que existe é um cenário econômico mais pesado, que afeta todos os bancos, e um Bradesco que decidiu crescer com mais seletividade. Durante a apresentação dos resultados aos investidores, em 23 de outubro, o presidente do banco, Marcelo Noronha, reconheceu que a economia pressiona o custo do crédito, mas garantiu que a instituição tem espaço para crescer sem perder qualidade na carteira.

Em resumo, o recado foi este:

  • O banco vai continuar emprestando, independentemente do cenário macroeconômico;
  • A prioridade serão operações com garantia e clientes de menor risco;
  • A inadimplência subiu, mas o banco afirma que ela está sob controle;
  • O caixa foi reforçado com um aumento de capital de R$ 10 bilhões.

2. Os números do trimestre em uma tabela

Para facilitar, reunimos os principais indicadores divulgados pelo banco:

IndicadorResultadoO que significa
Lucro líquido recorrenteR$ 7,11 bilhões (+14,6% em 1 ano)O banco está ganhando mais dinheiro
Retorno sobre o patrimônio (ROE)15,6%Rentabilidade em patamar saudável
Carteira de créditoR$ 1,15 trilhão (+11,1% em 1 ano)O banco continua emprestando mais
Inadimplência acima de 90 dias4,6% (era 4,1% em set/2025)Mais clientes atrasando pagamentos
Provisões para perdasR$ 10,6 bilhões (+24,3% em 1 ano)Dinheiro reservado para possíveis calotes
Custo do crédito3,7% (era 3,3%)Emprestar ficou mais caro para o banco
Índice de capital principal12,1%Mais solidez e fôlego para novas operações

3. Onde o crédito mais cresceu

O avanço da carteira não foi igual para todos. As grandes empresas e as linhas com garantia puxaram o crescimento, enquanto o crédito para pessoas físicas avançou em ritmo mais moderado:

ModalidadeCrescimento em 12 meses
Consignado privado+102%
Financiamento de veículos+26,8%
Grandes empresas+14,8%
Pessoas físicas (total)+7,4%

O consignado privado, que mais que dobrou de tamanho, é o grande destaque. Nessa modalidade, a parcela é descontada direto do salário, o que reduz o risco para o banco e, em geral, garante juros menores para o cliente.

4. Por que a inadimplência subiu

Segundo o próprio Noronha, o banco tem uma carteira controlada, mas não está imune ao cenário econômico, que pesa sobre todas as instituições. Ele explicou que parte da alta nos atrasos vem de operações com garantias públicas, como as dos fundos:

  • FGI – Fundo Garantidor para Investimentos, administrado pelo BNDES;
  • FGO – Fundo Garantidor de Operações, administrado pelo Banco do Brasil.

Na prática, essas linhas podem registrar atrasos, mas contam com proteção contra perdas efetivas. Ou seja: o número de inadimplência sobe, mas o prejuízo real para o banco tende a ser menor do que parece.

5. O que muda para você, cliente final

Essa é a parte que mais interessa. Com base na estratégia anunciada, veja o que o cliente pode esperar:

Perfil do clienteTendência
Trabalhador com carteira assinadaMais oferta de consignado privado, com parcelas descontadas em folha
Quem quer trocar de carroFinanciamento de veículos segue como prioridade do banco
EmpresárioBanco quer ampliar participação no crédito empresarial com garantias
Cliente de alta renda e bom históricoPerfil de menor risco, justamente o que o banco quer priorizar
Quem busca crédito sem garantiaAnálise tende a ser mais criteriosa no cenário atual

Os principais benefícios para o cliente:

  • Mais segurança para o seu dinheiro: o aumento de capital de R$ 10 bilhões elevou o índice de capital principal para 12,1%, deixando o banco mais sólido;
  • Crédito com juros mais baixos: modalidades com garantia, como consignado e financiamento de veículos, costumam ter taxas menores que linhas sem garantia;
  • Vantagem para quem tem bom histórico: manter as contas em dia e o relacionamento ativo pesa a favor na hora de conseguir melhores condições;
  • Atendimento mais digital: o banco reafirmou investimentos em inteligência artificial e digitalização para ganhar eficiência e reduzir custos.

6. Dicas práticas para aproveitar o momento

  1. Compare as taxas antes de contratar: se for pegar crédito, priorize modalidades com garantia, que tendem a ser mais baratas;
  2. Avalie trocar dívidas caras: quem tem rotativo do cartão ou cheque especial pode simular a portabilidade para um consignado privado;
  3. Mantenha o score saudável: pagar em dia é o que coloca você no grupo de “menor risco” que o banco quer atender;
  4. Concentre o relacionamento: investimentos e movimentação no banco ajudam na negociação de taxas e limites;
  5. Fique de olho no app: com o investimento em digitalização, novas ofertas devem aparecer primeiro pelos canais digitais.

7. Resultado antecipado e próximos passos

Um detalhe chamou atenção: o balanço estava previsto para 4 de novembro, mas foi antecipado para 22 de outubro por causa do aumento de capital. Segundo Noronha, o banco tinha duas opções, adiar ou antecipar, e escolheu antecipar.

O próximo marco é fevereiro de 2027, quando o Bradesco apresentará o balanço do seu plano de transformação junto com os resultados do 4º trimestre de 2026. A íntegra do balanço atual está disponível no link oficial, na seção de fontes ao final deste artigo.

Perguntas frequentes

O Bradesco está em crise?
Não. O banco teve lucro recorrente de R$ 7,11 bilhões no trimestre, alta de 14,6%, e reforçou o capital. A inadimplência subiu, mas reflete o cenário econômico geral.

Meu dinheiro no Bradesco está seguro?
O aumento de capital de R$ 10 bilhões elevou o índice de capital principal para 12,1%, o que indica maior solidez. Além disso, depósitos e aplicações elegíveis contam com a proteção do FGC dentro dos limites do fundo.

Vai ficar mais difícil conseguir crédito no Bradesco?
Para operações com garantia, a tendência é de mais oferta. Para linhas sem garantia, a análise deve ser mais seletiva, priorizando clientes de menor risco.

O que é custo do crédito?
É quanto o banco gasta com perdas e provisões em relação à carteira de empréstimos. Ele subiu de 3,3% para 3,7%, sinal de que emprestar ficou mais caro para a instituição.

Quando sai o próximo balanço?
Em fevereiro de 2027, junto com a apresentação do plano de transformação do banco.

Conclusão

Longe de um caos, o Bradesco mostra um banco que lucra mais, se protege mais e escolhe melhor para quem empresta. Para o cliente organizado, com contas em dia e bom relacionamento, o cenário é favorável: mais solidez, crédito mais barato nas linhas com garantia e um atendimento cada vez mais digital. Para quem depende de crédito sem garantia, a hora é de cuidar do histórico e comparar bem as opções.

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