ALTA RENDA BLOG 2026 — Se você já sentiu aquele friozinho na barriga marcando a entrevista do visto americano, a notícia de hoje é para acalmar o coração: o Brasil está entre os países mais bem colocados do mundo quando o assunto é aprovação. É o que revela um levantamento com duas décadas de dados oficiais do Departamento de Estado dos Estados Unidos, cruzados pela assessoria de vistos Viaggi Vistos — e os números mostram que o brasileiro tem motivos de sobra para viajar mais tranquilo na hora de solicitar o documento.
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Quem já teve aquele friozinho na barriga ao marcar a entrevista do visto americano pode respirar um pouco mais aliviado. Um levantamento com duas décadas de dados oficiais do Departamento de Estado dos Estados Unidos mostra que o Brasil está entre os países com menor taxa de recusa de visto de turismo e negócios do mundo. Na prática, isso significa que o perfil do viajante brasileiro é visto com bons olhos pelo consulado americano — e entender esse cenário pode ajudar quem está se preparando para pedir ou renovar o documento.
1. O que os dados oficiais mostram
Segundo a estatística oficial do governo americano chamada Adjusted Refusal Rate — B-Visas Only by Nationality (taxa ajustada de recusa, exclusiva para vistos da categoria B, que inclui o B1/B2 de turismo e negócios), a taxa média de recusa do Brasil entre 2006 e 2025 foi de 10,7%. Isso coloca o país na 152ª posição em um ranking de 186 nacionalidades, ordenado da maior para a menor recusa.
Na prática, essa posição significa que o brasileiro tem o visto negado com menos frequência do que aproximadamente 81% de todas as nacionalidades analisadas pelo governo dos Estados Unidos. Em 2025, a taxa ajustada de recusa do Brasil ficou em 14,87%, uma leve melhora em relação aos 15,48% registrados em 2024.
O que isso significa para você: quanto mais consistente e favorável é o histórico de aprovação de um país, maior tende a ser a previsibilidade do processo para quem tem um perfil de viagem bem documentado — renda comprovada, vínculos claros com o Brasil e um objetivo de viagem bem definido continuam sendo os fatores que mais pesam a favor da aprovação individual.
Os números têm fonte pública e podem ser conferidos por qualquer pessoa diretamente no site do governo americano:
- Página oficial com todos os anos fiscais: Nonimmigrant B Visa Adjusted Refusal Rates by Nationality — Departamento de Estado dos EUA
- PDF oficial com o resultado de 2025: Adjusted Refusal Rate FY2025 (PDF oficial)
- Explicação oficial de como a taxa é calculada: Metodologia da Adjusted Refusal Rate (PDF oficial)
O cruzamento dos 20 anos de arquivos oficiais em uma única série, incluindo o ranking das 186 nacionalidades e a posição do Brasil, foi feito pela Viaggi Vistos, assessoria especializada em vistos, com base nos arquivos públicos do governo americano.
2. A trajetória do Brasil nos últimos 20 anos
Olhar a série completa ajuda a entender por que 2025 não é nem o melhor nem o pior momento do brasileiro — e por que o cenário atual é, na verdade, bastante estável se comparado ao que já foi vivido na última década.
| Ano fiscal | Taxa de recusa | Ano fiscal | Taxa de recusa |
|---|---|---|---|
| 2006 | 13,2% | 2016 | 16,7% |
| 2007 | 9,6% | 2017 | 12,34% |
| 2008 | 5,5% | 2018 | 12,73% |
| 2009 | 7,0% | 2019 | 18,48% |
| 2010 | 5,2% | 2020 | 23,16% (recorde da série) |
| 2011 | 3,8% | 2021 | 14,25% |
| 2012 | 3,2% (menor índice) | 2022 | 14,48% |
| 2013 | 3,5% | 2023 | 11,94% |
| 2014 | 3,2% (menor índice) | 2024 | 15,48% |
| 2015 | 5,36% | 2025 | 14,87% |
Fonte: tabelas anuais “Adjusted Refusal Rate — B-Visas Only by Nationality”, Departamento de Estado dos EUA (2006–2025), compiladas por Viaggi Vistos.
Três momentos explicam essa curva. Entre 2007 e 2015, a recusa despencou de 13,2% para o piso histórico de 3,2%, em 2012 e 2014 — o auge do real forte, quando o Brasil chegou a se aproximar da linha dos 3% que abre as portas para a isenção de visto. Entre 2016 e 2020, a recusa disparou, saltando de 5,36% para 16,7% em apenas um ano e atingindo o pico da série em 2020. Especialistas do setor associam esse movimento à crise econômica de 2015-2016, embora não exista um comunicado oficial do governo americano confirmando essa causa. De 2021 a 2025, o índice se estabilizou em um patamar intermediário, entre 11,9% e 15,5%.
3. Brasil comparado aos vizinhos da América Latina
Dentro da região, o Brasil ocupa uma posição intermediária, à frente de mercados como México, Bolívia, Peru e Colômbia, mas atrás de Argentina, Uruguai e Chile — países com passaportes historicamente mais fortes para os Estados Unidos.
| País | Recusa média (2006–2025) |
|---|---|
| Argentina | 3,5% |
| Uruguai | 5,4% |
| Chile | 10,1% |
| Brasil | 10,7% |
| Paraguai | 12,1% |
| México | 15,9% |
| Bolívia | 20,8% |
| Peru | 25,2% |
| Colômbia | 26,0% |
Fonte: Viaggi Vistos, com base nas tabelas oficiais do Departamento de Estado dos EUA.
4. Por que o Brasil ainda não entra na isenção de visto
O número de 3% que aparece ao longo deste artigo não é aleatório. Pela legislação de imigração americana, uma taxa de recusa de visto de turismo e negócios abaixo de 3% é um dos critérios centrais para que um país seja considerado para o Visa Waiver Program, o programa que permite viajar aos Estados Unidos sem visto por até 90 dias.
O Brasil nunca cruzou essa linha. O ponto mais próximo foi justamente em 2012, quando a recusa ficou em 3,2% — mesmo ano em que a então presidente Dilma Rousseff e o presidente Barack Obama firmaram, em visita oficial a Washington, um compromisso conjunto de trabalhar pela isenção de visto entre os dois países. O acordo nunca avançou além da intenção.
Além da taxa de recusa, o programa exige outros requisitos, entre eles:
- Passaporte eletrônico com chip biométrico — requisito que o Brasil já cumpre
- Acordos de cooperação em segurança e troca de informações com os Estados Unidos
- Reporte imediato de passaportes perdidos ou roubados aos sistemas internacionais
- Reciprocidade: o país precisa isentar de visto os cidadãos americanos
- Baixa taxa de permanência irregular (overstay) de seus cidadãos nos Estados Unidos
Vale um ponto de atenção para quem acompanha esse tema: em 2025, o Brasil passou a exigir visto eletrônico de visitantes dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, encerrando a isenção que oferecia a esses países. Isso torna o critério de reciprocidade mais distante também, o que reforça que a entrada do Brasil no programa não está no horizonte de curto prazo.
5. O que isso muda, na prática, para quem vai pedir o visto
O principal benefício desse tipo de dado para o leitor não é apenas a curiosidade estatística — é a tranquilidade de saber que o processo, embora burocrático, tende a ser mais previsível para o brasileiro do que para a maioria dos solicitantes ao redor do mundo. Ainda assim, alguns pontos continuam sendo decisivos individualmente:
- A análise consular é sempre individual — a estatística de país não garante nem prejudica um pedido específico
- Vínculos claros com o Brasil (emprego, família, patrimônio) seguem entre os fatores mais avaliados
- Consistência nas informações do formulário DS-160 evita atrasos e questionamentos na entrevista
- Perfis financeiros bem documentados tendem a reduzir o risco de recusa por presunção de intenção imigratória, prevista na legislação americana
Perguntas frequentes
Qual é a taxa de recusa do visto americano para brasileiros em 2025?
De acordo com os dados oficiais do Departamento de Estado dos Estados Unidos, a taxa ajustada de recusa de vistos B (turismo e negócios) para o Brasil no ano fiscal de 2025 foi de 14,87%.
O Brasil está entre os países com mais ou menos recusa de visto americano?
Entre menos. Na média dos últimos 20 anos, o Brasil aparece na 152ª posição entre 186 nacionalidades analisadas, o que coloca o país entre os que têm recusa relativamente baixa — abaixo da recusa registrada por cerca de 81% dos países do mundo.
O Brasil pode entrar no Visa Waiver Program em breve?
Não é um cenário próximo. O critério central do programa exige uma taxa de recusa abaixo de 3%, e a do Brasil foi de 14,87% em 2025. Some-se a isso a exigência de visto eletrônico que o Brasil passou a aplicar a cidadãos americanos em 2025, o que também distancia o país do requisito de reciprocidade.
Qual foi o melhor e o pior ano do Brasil nessa estatística?
O melhor resultado foi em 2012 e 2014, ambos com 3,2% de recusa. O pior foi em 2020, com 23,16%.
Onde posso conferir os dados oficiais?
Diretamente no site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, na página oficial de estatísticas de vistos de não imigrante, que reúne os arquivos de todos os anos fiscais desde 2006.
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