ALTA RENDA BLOG 2026 – O Bradesco quer crescer no crédito, mas sem abrir mão da segurança. Com foco maior em empréstimos com garantias, consignado, financiamento de veículos e clientes de alta renda, o banco afirma estar mais preparado para enfrentar um cenário de juros elevados e inadimplência. Nesta matéria, com dados do Bradesco, mostramos de forma simples o que essa estratégia representa para os clientes e quais modalidades podem ganhar mais espaço.
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Bradesco aposta em crédito com garantia e diz estar “um passo à frente” do mercado; entenda o impacto para os clientes
Em um cenário de juros elevados, maior inadimplência e bancos mais atentos à concessão de empréstimos, o Bradesco está adotando uma estratégia clara para continuar crescendo no crédito sem assumir riscos excessivos.
A instituição vem priorizando operações que contam com algum tipo de garantia, os chamados colaterais, ao mesmo tempo em que reduz sua exposição a modalidades consideradas mais arriscadas. Para o cliente, essa mudança ajuda a entender por que algumas linhas, como consignado, financiamento de veículos e operações garantidas, ganham espaço enquanto o crédito pessoal sem garantia tende a ficar mais seletivo.
Segundo Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, essa estratégia coloca o banco em uma posição mais confortável diante da atual deterioração dos indicadores de crédito no mercado brasileiro.
“Estamos operando com colateral para ter uma qualidade de crédito superior à qualidade do mercado”, afirmou o executivo.
Mas o que isso significa, na prática, para quem é cliente do Bradesco ou pretende contratar crédito? O Alta Renda Blog explica os principais pontos.
Bradesco lucra R$ 7 bilhões no segundo trimestre de 2026
O Bradesco encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 7 bilhões, crescimento de 16,2% em comparação com o mesmo período de 2025.
O retorno sobre o patrimônio médio, medido pelo ROAE, também alcançou 16,2%.
Apesar do crescimento dos resultados, alguns indicadores de crédito chamaram a atenção dos analistas.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido recorrente | R$ 7 bilhões |
| Crescimento anual do lucro | 16,2% |
| ROAE | 16,2% |
| Crescimento das despesas com PDD | 22,6% |
| Inadimplência acima de 90 dias | 4,3% |
| Crescimento da carteira expandida | 11,6% |
O principal ponto de atenção foi o crescimento de 22,6% das despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) na comparação anual.
A inadimplência acima de 90 dias, por sua vez, chegou a 4,3%.
São números importantes porque mostram quanto o banco precisa reservar para cobrir possíveis perdas decorrentes de clientes que deixam de pagar suas dívidas.
Por que as provisões do Bradesco aumentaram?
Embora o aumento das provisões possa parecer um sinal negativo em uma primeira análise, o Bradesco argumenta que parte relevante desse movimento está relacionada ao próprio funcionamento de determinadas carteiras de crédito.
Marcelo Noronha destacou especialmente três frentes:
- operações garantidas pelo Fundo Garantidor para Investimentos (FGI);
- operações ligadas ao Fundo de Garantia de Operações (FGO);
- crédito direcionado ao agronegócio.
FGI e FGO são mecanismos que oferecem garantias para determinadas operações de crédito, reduzindo parte do risco assumido pelas instituições financeiras.
Existe, entretanto, uma particularidade importante.
Quando determinadas empresas encerram o período de carência e começam a apresentar atrasos, o Bradesco precisa contabilizar provisões antes mesmo de conseguir acionar as garantias existentes nos fundos.
O processo de recuperação pode levar até 185 dias.
Consequentemente, durante esse intervalo, os números de inadimplência e custo de crédito podem ficar temporariamente pressionados.
Segundo Noronha, o banco atravessa justamente o “pico de vencimento” dessas carteiras.
Bradesco aumentou em 64% essas operações
Outro fator ajuda a explicar por que os números ficaram maiores: o próprio crescimento da carteira.
Segundo o banco, o estoque dessas operações aumentou aproximadamente 64% em apenas um ano.
Com isso, o Bradesco alcançou uma participação próxima de 22% nesse mercado.
Quanto maior a quantidade de crédito concedido, maior também tende a ser, em valores absolutos, o volume destinado às provisões.
A expectativa da instituição é que parte dessa pressão seja revertida conforme as operações completem seus respectivos ciclos de recuperação.
O que muda para o cliente do Bradesco?
Aqui está um dos pontos mais interessantes para o consumidor.
O Bradesco está direcionando seu crescimento para modalidades nas quais consegue controlar melhor o risco. Na prática, isso significa que algumas categorias de crédito podem receber mais atenção da instituição.
| Modalidade | Estratégia atual do Bradesco |
|---|---|
| Crédito consignado | Expansão |
| Financiamento de veículos | Expansão |
| Operações com garantias públicas | Expansão |
| Crédito para alta renda | Público selecionado |
| Crédito pessoal tradicional | Redução de exposição |
| Cartões para menor renda | Crescimento limitado |
| Crédito rural com garantia | Mantém relevância |
Para o cliente, portanto, possuir uma garantia, renda mais elevada, relacionamento consolidado ou contratar modalidades consideradas mais seguras pelo banco pode ganhar ainda mais importância na análise de crédito.
Isso não significa aprovação automática ou necessariamente juros menores. Cada operação continua sujeita às políticas de crédito, análise de risco, perfil financeiro e condições oferecidas individualmente pelo Bradesco.
Crédito pessoal fica mais seletivo
Um dos movimentos mais importantes revelados pelo banco está justamente no crédito pessoal.
O Bradesco vem reduzindo sua exposição ao crédito pessoal tradicional, especialmente em segmentos considerados de maior risco.
Ao mesmo tempo, a instituição mantém o crédito pessoal direcionado principalmente para clientes de alta renda e públicos previamente selecionados.
Para quem busca dinheiro sem oferecer uma garantia, portanto, a tendência é encontrar uma análise mais criteriosa.
Em contrapartida, modalidades nas quais existe uma garantia vinculada à operação podem ganhar espaço.
Cartões de crédito também entram nessa estratégia
O posicionamento do banco também alcança os cartões.
Segundo a instituição, o crescimento da carteira de cartões destinada aos clientes de renda mais baixa permanece limitado.
Isso mostra que o Bradesco está evitando crescer simplesmente por volume e prefere selecionar melhor onde deseja ampliar sua exposição.
Para os clientes de maior renda e melhor relacionamento financeiro, o cenário pode ser diferente, uma vez que o banco continua demonstrando interesse em públicos considerados de menor risco.
Na prática, relacionamento, renda, histórico de pagamentos e movimentação financeira continuam sendo fatores relevantes para concessões e revisões de limites.
Financiamento de veículos e consignado ganham espaço
Enquanto determinadas modalidades ficam mais restritas, outras aparecem como importantes avenidas de crescimento.
O Bradesco está acelerando principalmente:
Crédito consignado: como as parcelas são descontadas diretamente da renda ou benefício elegível, o risco de inadimplência tende a ser mais controlável.
Financiamento de veículos: o próprio veículo funciona como garantia da operação, oferecendo maior proteção ao banco.
Crédito com garantias públicas: operações apoiadas por mecanismos como FGI e FGO continuam ganhando participação.
Esse direcionamento ajuda a explicar a declaração de que o banco pretende crescer, mas sem flexibilizar excessivamente seus critérios de risco.
Agronegócio exige maior atenção
O agronegócio é outro segmento acompanhado de perto.
Noronha reconheceu que o cenário atual está mais complexo, mas ressaltou que uma parcela relevante das operações possui garantias.
Entre elas estão financiamentos originados pelo Banco John Deere destinados principalmente à aquisição de máquinas.
Segundo o executivo, a inadimplência dessas operações continua abaixo da média observada no mercado.
Mais uma vez, a presença de um ativo como garantia aparece como elemento central da estratégia adotada pelo Bradesco.
Por que o banco acredita estar “um passo à frente”?
A visão apresentada pelo Bradesco é relativamente simples: enquanto o mercado enfrenta maior pressão provocada por inadimplência e custo de crédito, a instituição acredita ter construído carteiras com qualidade superior justamente por priorizar operações garantidas.
O banco também afirma manter um apetite ao risco mais moderado.
A carteira expandida cresceu 11,6% em um ano, portanto o Bradesco não deixou de emprestar. A diferença está na escolha dos segmentos em que pretende acelerar.
O objetivo é combinar crescimento com maior proteção contra eventuais perdas.
Na prática: onde o cliente pode enxergar oportunidades?
Para quem mantém relacionamento com o Bradesco, o novo direcionamento ajuda a identificar quais produtos podem estar mais alinhados à estratégia atual do banco.
Clientes interessados em financiamento de veículos, crédito consignado ou operações com algum tipo de garantia podem encontrar um banco mais disposto a crescer nesses segmentos.
Já quem procura crédito pessoal tradicional sem garantia deve considerar que a instituição está adotando maior seletividade.
Para clientes de alta renda, o cenário merece atenção especial. O próprio banco afirma que pretende manter o crédito pessoal concentrado nesse público e em clientes selecionados.
Ainda assim, uma regra continua válida: ter acesso a crédito não significa necessariamente que contratar seja vantajoso. Antes de aceitar uma proposta, é importante comparar o Custo Efetivo Total (CET), prazo, juros, seguros incluídos e valor final da dívida.
Resumo: estratégia do Bradesco em 2026
| Ponto | O que está acontecendo | Impacto potencial para o cliente |
|---|---|---|
| Crédito com garantia | Banco aumenta participação | Pode ganhar relevância nas ofertas |
| Consignado | Está entre as áreas de expansão | Maior foco comercial |
| Financiamento de veículos | Banco pretende acelerar | Mais espaço dentro da estratégia |
| Crédito pessoal | Maior seletividade | Aprovação pode depender ainda mais do perfil |
| Alta renda | Continua sendo público relevante | Crédito pessoal permanece direcionado |
| Cartões para menor renda | Crescimento limitado | Postura mais conservadora |
| Inadimplência | Acima de 90 dias chegou a 4,3% | Banco reforça controle de risco |
| FGI e FGO | Provisões pressionadas temporariamente | Garantias ajudam a proteger a carteira |
Vale a pena para o cliente?
A estratégia adotada pelo Bradesco não representa necessariamente uma redução generalizada na oferta de crédito. O que está acontecendo é uma mudança na qualidade e no direcionamento das concessões.
O banco quer continuar crescendo, mas prefere fazê-lo em operações nas quais existem garantias ou clientes com perfil de risco mais controlado.
Para o consumidor, isso torna ainda mais importante construir um bom relacionamento financeiro, manter pagamentos em dia e comparar diferentes modalidades antes de contratar.
Em alguns casos, uma linha com garantia pode oferecer condições mais interessantes do que o crédito pessoal convencional. Porém, justamente por envolver um bem ou outra garantia, a contratação exige atenção redobrada às condições e às consequências de uma eventual inadimplência.
O Bradesco, por sua vez, sinaliza que pretende seguir crescendo com cautela. Nas palavras de Marcelo Noronha, mesmo diante de um mercado pressionado por inadimplência e custo de crédito, o banco considera estar “um passo à frente” por trabalhar com carteiras que considera melhores e manter um apetite ao risco mais moderado.
No mercado, as ações preferenciais do Bradesco chegaram a recuar 2,27%, para R$ 17,64, enquanto acumulavam queda de 3,02% no ano. Naquele momento, o valor de mercado da instituição estava estimado em aproximadamente R$ 176,8 bilhões.
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