A Europa decidiu enfrentar Visa e Mastercard, e o Pix brasileiro virou a referência dessa briga

ALTA RENDA BLOG 2026 – Já imaginou pagar um café em Lisboa, mandar dinheiro para um amigo em Madri ou fazer uma compra online na Itália usando o mesmo aplicativo que você usa em casa, sem depender de Visa ou Mastercard? É exatamente isso que a Europa está construindo. Cinco gigantes dos pagamentos no continente, Bizum, Bancomat, Wero, MB WAY e Vipps MobilePay, acabam de criar a European Network for Payments (ENP), uma rede que já nasce com cerca de 130 milhões de usuários em 13 países. Com base no comunicado oficial dos fundadores, preparamos um raio-x completo: como a rede vai funcionar, por que ela não é exatamente um “Pix europeu” e o que muda na prática para você, que usa cartões premium e viaja para a Europa.

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A Europa acaba de dar um passo importante para depender menos das bandeiras americanas. Cinco das maiores soluções de pagamento do continente se uniram para criar a European Network for Payments (ENP), uma rede que vai conectar os “Pix locais” de vários países europeus. A ideia é permitir que um espanhol, um italiano, um português ou um norueguês paguem e transfiram dinheiro entre si com a mesma facilidade com que fazem isso dentro de casa.

A comparação com o Pix é inevitável, mas os modelos são bem diferentes. Neste artigo você vai entender o que é a ENP, quem está por trás dela, como ela vai funcionar, onde entra o euro digital e, principalmente, o que essa novidade significa na prática para você, que usa cartões premium e viaja para a Europa.

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ENP em resumo

ItemO que você precisa saber
NomeEuropean Network for Payments (ENP)
Anúncio30 de setembro de 2026
SedeMadri, Espanha
FundadoresBancomat, Bizum, EPI/Wero, SIBS-MB WAY e Vipps MobilePay, com participações iguais
AlcanceCerca de 130 milhões de usuários em 13 países, mais de 70% da população da União Europeia e da Noruega
ObjetivoConectar sistemas de pagamento que já existem, sem criar uma marca nova para o consumidor
Situação atualImplementação técnica em preparação, ainda sem data oficial de início

1. O que é a European Network for Payments (ENP)

A ENP é uma empresa conjunta criada para fazer uma coisa muito específica: ligar entre si os aplicativos de pagamento que os europeus já usam no dia a dia. Hoje, cada país tem o seu “Pix”. A Espanha tem o Bizum, Portugal tem o MB WAY, a Itália tem o Bancomat, os países nórdicos têm o Vipps MobilePay, e Bélgica, França, Alemanha e Luxemburgo estão adotando o Wero.

O problema é que esses sistemas não conversam entre si. Um português não consegue mandar dinheiro pelo MB WAY para um amigo espanhol que usa Bizum. Na hora de pagar fora do país, o caminho natural acaba sendo o cartão, quase sempre de bandeira americana.

A ENP chega para resolver essa barreira. Ela não cria um aplicativo novo nem substitui ninguém. Funciona como uma ponte técnica comum, baseada em padrões europeus de pagamento instantâneo de conta para conta. Cada solução mantém sua marca, seu aplicativo e a experiência que seus clientes já conhecem.

Em uma frase: a ENP não é um novo Pix europeu. É a estrada que vai ligar os vários “Pix” que a Europa já tem.

2. Quem está por trás da rede: os cinco fundadores

Os cinco fundadores são líderes nos seus mercados. Juntos, já começam com escala de gente grande:

FundadorOnde atuaNúmeros oficiais
BizumEspanhaMais de 32 milhões de usuários, 120 mil lojas online e 1,6 milhão de lojas físicas. Média de mais de 3,4 milhões de transferências por dia em 2025
BancomatItáliaMais de 2,7 bilhões de transações por ano, cerca de 200 bilhões de euros movimentados
EPI / WeroBélgica, França, Alemanha, Luxemburgo e Holanda (em migração)Criada por 18 bancos e instituições de pagamento, com mais de 50 membros. Chegada à Áustria prevista para 2027
SIBS – MB WAYPortugalMais de 70 milhões de transações por mês, em mais de 500 mil pontos de venda
Vipps MobilePayNoruega, Dinamarca, Finlândia e SuéciaCerca de 13 milhões de usuários e quase 400 mil empresas

Uma curiosidade para quem viaja: o MB WAY, de Portugal, foi a primeira solução de transferência imediata da Zona do Euro. Hoje ele já faz transferências entre pessoas, compras online, pagamento por QR Code, pagamento por aproximação e até saque em caixa eletrônico. Na prática, é o que mais se parece com o nosso Pix.

3. Como a rede vai funcionar na prática

A implantação será feita em etapas. O comunicado oficial dos fundadores define a seguinte ordem:

FaseO que será liberadoExemplo prático
Fase 1Transferências entre pessoas de países diferentesUm usuário do Bizum, na Espanha, envia dinheiro para um amigo que usa MB WAY, em Portugal
Fases seguintesCompras online (e-commerce)Um italiano paga uma loja virtual alemã usando o próprio app do Bancomat
Fases seguintesPagamentos em lojas físicasUm norueguês paga um restaurante em Lisboa com o Vipps

Outros pontos importantes sobre o funcionamento:

  • Sócios em pé de igualdade: os cinco fundadores têm participações iguais na ENP, que vai cuidar da coordenação técnica e da expansão da rede.
  • Porta aberta para novos membros: outras soluções europeias podem entrar no futuro, desde que haja acordo entre os sócios e que cumpram os requisitos técnicos.
  • Sem nova marca para o consumidor: quem usa Bizum continua usando Bizum. A conexão acontece nos bastidores.
  • Liderança em formação: segundo o Bizum, a ENP já escolheu seu CEO e vai contratar equipe. O nome ainda não foi divulgado.

4. Por que a Europa quer depender menos de Visa e Mastercard

Hoje, quando um europeu paga uma compra fora do seu país, a transação quase sempre passa por uma bandeira americana. Isso tem custo para lojistas e consumidores e também uma dimensão estratégica. Com o aumento das tensões entre Estados Unidos e Europa, as autoridades europeias passaram a tratar a soberania nos pagamentos como prioridade. A preocupação é não depender de empresas estrangeiras para algo tão básico quanto pagar uma conta.

A ENP é a resposta do setor privado a esse cenário. Em vez de criar um sistema do zero, os bancos europeus decidiram conectar o que já funciona bem em cada país. É um caminho mais rápido e mais barato, que já começa com mais de 130 milhões de usuários.

Esse movimento lembra muito o que aconteceu aqui no Brasil. O Pix também passou a incomodar as bandeiras americanas, a ponto de virar tema de investigação comercial nos Estados Unidos. Explicamos essa disputa em detalhes nos artigos indicados no início deste texto.

5. A ENP é um “Pix europeu”? Veja as diferenças

A resposta curta é não. Os dois sistemas incomodam as bandeiras americanas, mas funcionam de formas bem diferentes:

CritérioPix (Brasil)ENP (Europa)
Quem operaBanco Central do Brasil, um órgão públicoEmpresa privada formada por cinco sócios
ModeloSistema único, centralizadoPonte que conecta vários sistemas
Marca para o usuárioUma só: PixCada app mantém a sua (Bizum, Wero, MB WAY etc.)
Adesão dos bancosObrigatória para instituições com mais de 500 mil contasVoluntária, por acordo entre os sócios
AlcanceBrasil13 países europeus, por enquanto
SituaçãoEm operação desde novembro de 2020Em preparação técnica

Em resumo, o Brasil criou um sistema público, único e obrigatório. A Europa está apostando em cooperação entre empresas privadas, sem apagar as marcas locais. São caminhos diferentes para o mesmo objetivo: pagamentos instantâneos, baratos e menos dependentes de terceiros.

6. Pix em números: por que o Brasil virou referência

Para entender por que o Pix é sempre citado quando o assunto é soberania nos pagamentos, basta olhar os números divulgados pelo Banco Central:

IndicadorResultado
Transações em 2025Cerca de 80 bilhões, alta de 25% sobre 2024
Recorde em um único dia313,3 milhões de transações em 5 de dezembro de 2025
Valor movimentado no dia recordeR$ 179,9 bilhões
Usuários ativos (abril de 2026)142 milhões de brasileiros, cerca de 93% da população adulta

E o Pix segue evoluindo. Hoje ele já tem pagamento por aproximação, Pix Automático para contas recorrentes e até opções de parcelamento oferecidas pelos bancos. É esse nível de maturidade que a Europa tenta alcançar com a ENP, só que partindo de vários sistemas diferentes.

7. E o euro digital, onde entra nessa história?

Em paralelo à ENP, o Banco Central Europeu (BCE) trabalha no euro digital, uma versão eletrônica do euro emitida pelo próprio banco central. Seria uma espécie de “dinheiro vivo digital”, aceito em toda a Zona do Euro. Veja o cronograma oficial:

DataEtapa do euro digital
Junho de 2023Comissão Europeia apresenta a proposta de regulamento
Junho de 2026Comissão de Assuntos Econômicos do Parlamento Europeu aprova sua posição por 43 votos a 14
Até o fim de 2026Meta de aprovação final do regulamento, ainda em negociação
2º semestre de 2027Início do piloto de 12 meses, com 36 instituições de pagamento selecionadas
2029Possível primeira emissão, se o regulamento for aprovado

Pela proposta, o euro digital não renderia juros e não teria custo para o consumidor. O BCE deixa claro que só vai decidir se emite ou não a moeda depois que a lei for aprovada.

A expectativa do mercado é que, no futuro, ENP e euro digital funcionem como peças complementares. A ENP conectaria os aplicativos privados e o euro digital ofereceria uma opção pública, garantida pelo banco central. Por enquanto, porém, isso é uma projeção, e não um plano oficial.

8. O que muda para você, brasileiro, na prática

Esta é a parte que mais interessa a quem tem cartões premium e viaja com frequência. Vamos direto ao ponto:

SituaçãoMuda agora?O que fazer
Viajar para a Europa com cartão brasileiroNãoVisa e Mastercard continuam aceitas normalmente. Siga usando seu cartão de crédito ou sua conta global
Usar Bizum, MB WAY ou Wero como turistaNãoEsses apps exigem conta em banco europeu. Não há previsão oficial de acesso para turistas
Benefícios dos cartões premiumNãoSalas VIP, seguros e pontos seguem iguais. Vale acompanhar se a concorrência estimula as bandeiras a ampliar vantagens
Brasileiros que moram na EuropaEm breveQuem tem conta em banco europeu deve ser o primeiro a se beneficiar das transferências entre países

Mesmo sem efeito imediato, a novidade traz alguns benefícios indiretos que valem a pena acompanhar:

  • Mais concorrência: quando novas redes ganham força, as bandeiras tradicionais costumam reagir com mais benefícios, como cashback, milhas e seguros, para manter os clientes. Foi o que vimos aqui no Brasil depois da chegada do Pix.
  • Vida mais fácil para quem mora fora: brasileiros com conta na Europa poderão transferir dinheiro entre países europeus de forma instantânea e sem depender do cartão.
  • Referência para o Pix: o avanço europeu reforça o modelo de pagamentos instantâneos que o Brasil ajudou a popularizar, e o tema de integração internacional de sistemas instantâneos tende a ganhar força.

Dica ARB para quem vai à Europa: enquanto a ENP não chega aos turistas, a combinação mais segura continua sendo um cartão de crédito premium para reservas, emergências e benefícios de viagem, e uma conta global ou cartão de débito internacional para os gastos do dia a dia em euro.

9. Linha do tempo: do acordo à criação da ENP

DataAcontecimento
Dezembro de 2023Bancomat, Bizum e SIBS assinam carta de intenções para uma parceria em pagamentos digitais
Novembro de 2024Lançamento da EuroPA, aliança que liga Itália, Espanha e Portugal
Março de 2025Primeiras transferências instantâneas entre os três países
Fevereiro de 2026Os cinco fundadores assinam o Memorando de Entendimento
30 de setembro de 2026Criação oficial da European Network for Payments, com sede em Madri
Próximos passosImplementação técnica e início da fase de transferências entre pessoas, ainda sem data

10. O que ainda não foi definido

Como a ENP acabou de nascer, alguns pontos importantes ainda estão em aberto:

  • Data de início: não há prazo oficial para a primeira fase começar a funcionar.
  • Tarifas: o modelo de cobrança para bancos e lojistas ainda não foi divulgado.
  • Comando: o nome do CEO escolhido ainda não foi anunciado.
  • Novos membros: não se sabe quais outros sistemas europeus devem entrar na rede.

O Alta Renda Blog vai acompanhar cada novidade e atualizar você assim que houver anúncios oficiais.

Perguntas frequentes

1. A ENP é o Pix da Europa?
Não exatamente. O Pix é um sistema único, operado pelo Banco Central. A ENP é uma empresa privada que conecta vários sistemas que já existem, como Bizum, MB WAY e Wero, sem substituir nenhum deles.

2. A ENP vai acabar com Visa e Mastercard na Europa?
Não. O objetivo é reduzir a dependência das bandeiras americanas, principalmente nos pagamentos entre países europeus. Cartões Visa e Mastercard continuam sendo aceitos normalmente.

3. Turistas brasileiros vão poder usar a ENP?
Por enquanto, não. Os aplicativos conectados pela rede exigem conta em banco europeu, e não há previsão oficial de acesso para turistas.

4. Quando a ENP começa a funcionar?
Ainda não há data. A primeira fase será de transferências entre pessoas de países diferentes. Compras online e em lojas físicas virão depois.

5. Quantas pessoas a ENP vai atender?
Os cinco fundadores somam cerca de 130 milhões de usuários em 13 países, o que representa mais de 70% da população da União Europeia e da Noruega.

6. O que é o euro digital e qual a relação com a ENP?
O euro digital é uma moeda eletrônica que o Banco Central Europeu pode emitir a partir de 2029, se a lei for aprovada. É um projeto separado da ENP, mas a expectativa é que os dois se complementem no futuro.

7. Meus cartões premium perdem algum benefício com essa mudança?
Não. Salas VIP, seguros de viagem, pontos e milhas continuam iguais. Se houver efeito, a tendência é positiva, com as bandeiras reforçando vantagens para não perder espaço.

Conclusão

A criação da European Network for Payments mostra que a Europa decidiu agir para depender menos das bandeiras americanas. Em vez de copiar o Pix, o continente escolheu unir as forças que já tem. Na prática, isso significa conectar aplicativos populares como Bizum, MB WAY e Wero em uma grande rede, com mais de 130 milhões de usuários.

Para você, que usa cartões premium e viaja para a Europa, nada muda por enquanto: seus cartões, benefícios e contas globais continuam funcionando normalmente. Mas vale acompanhar. Mais concorrência no mundo dos pagamentos costuma significar mais vantagens para o consumidor, e o Brasil, com o Pix, já provou isso.

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Fontes consultadas


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